- Mariano Marovatto
Parece que estou em perigo. Mas não.
Sob o efeito do Memoriol B6, entro numa
estação subterrânea à espera do metrô.
Água avança pelos respiradores, o eco
é hilariante como os que se afogam engasgados.
Talvez devêssemos todos
mergulhar nos trilhos
patos e boias.
Do lado seco do vão os dois homens
encasacados. Um veste sobretudo de tecido
grosso e marrom, coisa que não se usa mais.
O outro repuxa um topete
com um pente de plástico.
Calvície à espreita.
Checam com frequência os papéis nas malas.
Os vagões surgem
com os cotovelos molhados apontados.
Talvez aqui seja o ponto final, talvez
seja melhor caminhar apressadamente.
22/09/2013
19/09/2013
regressar à casa
- gil t. sousa
regressar à casa
despir o véu da rua
subir os outros
degrau a degrau
deixá-los
no cimo dos dias
ali
imóveis, pintados
sem doerem
e ir à procura das palavras
das fiéis palavras
que nos esperam
que nos esperaram sempre
com um vinho forte na mão
uma droga
ou um sonho
ou apenas
um sonho
ou então um cavalo
um louco cavalo
uma máquina iluminada
de fugir
de ir
pelo gume mais aceso das montanhas
e voltar
pela maré serena
dos rios
regressar à casa
despir o véu da rua
subir os outros
degrau a degrau
deixá-los
no cimo dos dias
ali
imóveis, pintados
sem doerem
e ir à procura das palavras
das fiéis palavras
que nos esperam
que nos esperaram sempre
com um vinho forte na mão
uma droga
ou um sonho
ou apenas
um sonho
ou então um cavalo
um louco cavalo
uma máquina iluminada
de fugir
de ir
pelo gume mais aceso das montanhas
e voltar
pela maré serena
dos rios
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