29/07/2014

Solstício

-  Joana Paula Oliveira

Esquivo a chance
do derretimento
da transformação física
das camadas de pele congelada
Na fronte, pequenas avalanches
O corpo todo em solstício
E os fluidos orquestram
a migração dos peixes
para o silencioso útero

Reparo na brisa fria
os flocos de neve dentre as pernas
transformados em água
escoam amornando as fissuras

Evito o caminho do inverno
submergindo no lago de ontem
isolado pela fina camada de vidro

Hibernação anaeróbica
Asfixia

03/07/2014

Objeto sujeito

-   Paulo Leminski


você nunca vai saber
quanto custa uma saudade
o peso agudo no peito
de carregar uma cidade
pelo lado de dentro
como fazer de um verso
um objeto sujeito
como passar do presente
para o pretérito perfeito
nunca saber direito

você nunca vai saber
o que vem depois de sábado
quem sabe um século
muito mais lindo e mais sábio
quem sabe apenas
mais um domingo

você nunca vai saber
e isso é sabedoria
nada que valha a pena
a passagem pra pasárgada
xanadu ou shangrilá
quem sabe a chave
de um poema
e olha lá

01/07/2014

Alma pequena

-  Franz Kafka

Alma pequena
salta em danças
lança a cabeça em mornos ares
levanta os pés da relva brilhante
que o vento leva em delicado movimento.

(Tradução de Tomaz Amorim Izabel)