07/01/2016

Noturno da Glória

-  Augusto Massi
Às quatro horas da manhã
caminho
entre as árvores do Aterro.
Mar agitado de mim mesmo.
Eu,
(a quem a memória não traiu)
cão teimoso,
farejando fúria,
combustão, saudade.
Noite adentro,
em meio à hemorragia de nuvens,
abismos de abril.
Caminho
contra a ventania
varrendo ruas,
espalhando pessoas.
Cruzo,
em alta velocidade,
o túnel de uns olhos
rumo à antiga noite.
Sobre escombros,
transitivo,
avesso a tudo,
(quase fora do alcance)
longe,
lá longe,
caminho.
Às quatro horas da manhã,
entre as árvores do Aterro,
luto
contra um mundo esquivo,
contra tua ausência,
incompreensível,
latejando dentro da noite.