- Anna Akhmátova
Caiu a palavra de pedra
no meu peito ainda vivo,
não faz mal, eu estava pronta,
de qualquer modo sobrevivo.
Tenho que fazer: a memória
há que matá-la até ao ovo,
devo petrificar a alma,
é preciso viver de novo.
Ou... O verão, seu murmúrio quente,
é como festa além do umbral.
Minha alma há muito o pressente:
casa vazia em dia claro.