01/07/2011

Sentença

-  Anna Akhmátova



Caiu a palavra de pedra
no meu peito ainda vivo,
não faz mal, eu estava pronta,
de qualquer modo sobrevivo.


Tenho que fazer: a memória
há que matá-la até ao ovo,
devo petrificar a alma,
é preciso viver de novo.


Ou... O verão, seu murmúrio quente,
é como festa além do umbral.
Minha alma há muito o pressente:
casa vazia em dia claro.