01/09/2011

De EU

-  Karel Van de Woestijne


O meu olho direito pôs-se branco; o esquerdo negro.
Eis-me em pé: uma torre entre dois olhos.

Uma flor abre-se dum pulo. E o dia abre-se dum pulo.
Eu próprio? Espanto. Todavia: nem um estampido.

Hora: asa que se esvai, relampejo. E... uma rosa
que cheira ao poente, ah morte enfim chegada.

Não, sou cego como uma rosa sangrenta
que se põe luminosa à noite.