14/06/2012

Flamenco

-   Roberta Ferraz



Sulcar o caudaloso de um rio
até o encontro com a haste dos cabelos
que é a dança

Eu enfaixaria teus sonhos num damasco
tendo no ombro o lusco-fusco de um cristal
ardendo abrir-te à coloração negra
e ensaiar o espaço
entre meu corpo e a lunação

Rugas olhos pesados palmas
bater no meio de uma tarde o calcanhar
vertebral apetite de quem é vivo

As mulheres estão todas fortes
em seus laços florescidos de escuro
Minha manhã é um caminhão encostado
nas águas, bordoada de vento
com chapéus e garrafas

Sobre o vau de um tempo estanque
homens como sons duelam
a viagem de meu nome
Como um tálamo de vinho
corrói e acalanta