30/03/2015

Para Metka

-  Tomaž Šalamun

Se eu atear fogo à moldura branca da casa, a chama arderá
mais luzente que o peso cadente de nossos corpos?
Mais radiante que o samba? Mais brilhante que minha mente rala?
Estou na neve. Você dança. Sob as gigantescas
árvores verdes, com seus olhos tristes e lacrimosos.
Ouvimos as rimas e chinelos do seu pincel.
Das pradarias onde você vislumbra musgo e o que há sob
a mistura dele. Um lince branco arranhando uma garganta verde
              [escura.
Alguma vez o céu se detém e trepida? Onde você descansa?
Numa avalanche ou sobre a terra? Eu me devoro aqui, me devoro,
inchando para não ser dilacerado nas alturas.
pelas nuvens róseas, azuis e violetas, e as flores,
antes que a luz transborde e nos esmague.

(Tradução de Flávio Britto)