09/03/2016

A marina das coisas

-  Rafael Zacca
                               um segredo para Khalil
Não é tão tarde
que não se possa
selar o céu
com o marulho
das conchas, grave
escavação
motor carvão
branco engasgado
frágil segredo —
……………. a mão
que encontra antenas
se rasga
na areia
assim se abrem as
crianças: sangue
e brinquedo um
bater de dente
(um sonho sólido)
obra um clarão
de sol secando
os grãos, castelos
…………mas não tem volta
dos que não têm
casa, se nos
tocam os dedos
dobramos os
joelhos, um
desterro. É
por isso que
bastam crianças
(se podem ir
à praia): salvam
o mundo, cavam
fundo e articulam
a marina das coisas
os bichos inexplicáveis
o tumulto do nácar.