- Ana Carolina Assis
(para a joana)
a luz laranja
atravessava a pedra
era impossível
sobre a rocha gigante
detrás do vidro
antes da fome
da rocha aparente
manchada laranja
não sei se musgo
líquen raiz
criavam liga
e uma pedrinha
equilibrada
era impossível
e seria preciso
derrapar o carro
perder o olho
a liga
e as pontas
você dizia dos pássaros e da geografia dos homens e que estudou piano com a vó embora tenha parado aos 16
uma pedra sobre
a rocha gigante
sustentava a queda
d’água o abrigo dos
pássaros lentes
que só funcionariam
caso parássemos
o carro
coisa que não fizemos
pela mínima fome
que nós acometia
você dizia da acidez extrema entre as coxas e das vitórias-régias e do pincel mergulhado na sopa de cores trocadas e que viveu aqui desde os 11
a pedrinha sobre
o fundo laranja
nos olhava
fundo
e dizia eu não sou daqui
como disseram muitas vezes
aquelas mulheres