- Lucas van Hombeeck
como quebrar os bráquetes do aparelho
contra a maçã caramelada de anil-
ina e açúcar cravando
os dentes pela
cor dos flamingos
uma primeira bicicleta
seu mênstruo
cedendo o filete da gengiva
tártaro que calcifica os
restos do almoço
as cáries nossas
escolhas
como vestir a camisa já
esperando a tinta da casca brilhosa
na maçã quase um caco plástico sujando
o rosto escaralhado cheio de calor
debaixo dos botões a fogueira
da mistura que escorre
as regras
torcem como a quinta-coluna em junho
é diferente barroca diferentona
e gosta de maçã mas sem as sementes
elas germinam são incontroláveis
como as colônias ultramarinas
mal administradas abandonadas
à própria sorte ao terreno das coisas
em que penso quando não quero
pensar que seria foda
te encontrar comer contigo
uma maçã do amor iluminada suja
de areia e batom como a canção
que ouvimos no apartamento
do grajaú onde eu me senti
burro por não ter o que propor
depois da quarta garrafa de vinho
deitado no seu colo derelicto
arrebentado cheio de quinas
bráquetes bráquetes quebrando
o aparelho minha primeira
bicicleta
eu não sabia mas o que você queria
ali era uma máquina de festas
juninas que simulasse o gosto
de chamar as pessoas pelo nome
e ainda que isso não fosse o bastante
seria vermelho diria chega
insira sua ficha
