05/12/2014

palavra-mágica

-  Demetrios Galvão


quando os pés adoecem

e esquecem os caminhos

o corpo precisa inventar voos.


os peixes nadam na profundidade da costela direita

na obscuridade do entre-ossos

migrando para o aconchego do litoral carnudo. 


                (a língua quando bem plantada
               
                atinge veios profundos
               
                manancial voluptuoso de fabulações)



busco então, a sobrenatural beleza:

as ancas africanas, a envergadura monárquica,

a anatomia incendiária.


me visto de asas e de lâmpadas

e vou ao teu encontro

com uma palavra-mágica adornando os olhos.