- Eucanaã Ferraz
Imagino que seu nome é outra areia
outra fábula outro nu outro tédio outro ladrilho.
Ainda assim é você. Se seu nome fosse outro
do outro lado da linha outro nervo outra nostalgia
ainda era você e só por isso acenderia a alegria
de o ser mesmo que seu nome não valesse o cinema
mínimo de o escrevermos numa página e pudesse até
não pertencer a este mundo e tivesse que ser dito
com luvas de borracha. Nome que andasse descalço
mas sem queixa da sorte porque ainda assim
quebravam nos seus passos as tardes de junho.
Podia ser um nome que não cantasse que
mal se sentisse que não conduzisse ao coração
dos velhos trens de carga. Mas seu nome
longe disso é berilo abrindo seu brilho na língua
cada vez que o digo. Frondoso é e sob sua sombra
descansa talvez uma onça e na mais alta sílaba
um inseto finca seu alfinete e zine.
Mas podia não ser nada disso. Seria por exemplo
onde batesse aleatório o dedo na página do dicionário,
imagino. E deduzo que enquanto houver nomes
sobre a Terra haverá discórdia e haverá poemas.