11/06/2011

Ave, Palavra

-  João Guimarães Rosa


[...] Eu estava ali, cheio de mente,
mas nas imagens do meu mar de morte,
morada de ninguém;
                      apenas minha?
Em meio de muito pranto sei:
agudos os ossos da alma
e toda beleza é distante.

Só o túmulo obedece.
Todo ídolo é tentativa de
deter o tempo.

(Nem o ar é meu, nem
             o que é meu é meu. E o
              relato que é meu,
                      do chão do mar)

Eu morro de autenticidade!

Não! Que eu ainda não sou!
Que eu ainda não sou saudade...

Saudade - as modulações
               do escuro;
As falenas de além-fogo, e
uma nudez de espada: a ardente
neutralidade de um anjo. [...]