08/06/2011

Segredo de Camarinha

-  Micheliny Verunschk


Cora,

teu retrato amarelado de moça

fala à minha dor.

Teu retrato-butterfly antigo

pousa,

pousa sobre

a rosa remendada de minha dor.

Aquele rapaz, Cora,

que tinha o medo

(o medo que têm todos os homens)

e que não pressentiu a espera ancestral,

aquele rapaz, Cora,

o desencontrei também.

Ele vestia

o mesmo sorriso

e o mesmo cheiro bom de terra

e o mesmo medo

(ainda o medo)

o medo

ele vestia.

(O que há de se fazer,

Cora,

com um mal destes de amor ?)

Cora,

teu antigo retrato de moça

baila-bailarina

sobre a minha dor.