17/06/2011

Por que não viver ao vivo?

-  Camila Da Vinci


De repente tudo se tornou tão previsível.
Acordarei e repetirei o ritual diário
Não farei nada de novo
Mas pode ser que eu conquiste um novo público.
 
O cenário não mudou
Mas reparo uma mudança:
Os atores não são os mesmos.
Ah! mas são os mesmos personagens!
Aquele ali eu já conheço
Aquela? Já interpretei muitas vezes

A cena se repete sempre
A emoção mais expressiva que observo?
Uma “Tensão Pré-Flash”
E que exigência a câmera nos faz!
Tão felizes, tão magros, tão agradáveis
E cada vez mais distantes de nós mesmos

Em que cabeça vejo os cabelos do comercial de Shampoo?
Fios lindos e saudáveis
E, voando no mesmo vento que os balança,
Uma consciência remota

Ria de si mesmo
Mas não chore na frente dos outros.
Não te reveles a qualquer um!
E a ti, quando te revelarás?

Perdemos quem somos.

Olhei meu rosto no espelho
Ornado de lápis, blush e batom
E me perguntei quem eu queria representar
Com aquele retrato que acabara de pintar
Fiquei aborrecida com a questão
Lavei o rosto.
E mesmo com a face limpa
Não reconheci quem eu era

Eu era uma tela em branco esperando qualquer cor?
Onde estariam os rascunhos e estudos que antecederam aquele final?
Era como se eles tivessem se perdido
Agora a minha verdade era aquele personagem
Do qual não era de minha autoria sua história
Mas que eu sabia de cor cada falso ato seu

Por que não viver ao vivo?
Falta coragem de assumir o errático
Então, simplesmente perguntamos:
- Se a suavidade existe, por que toda essa aspereza em viver?
E esquecemos que sentir é seco e sem anestesia