- Augusto Guimaraens Cavalcanti
Nenhuma consolação nas formas
já não é claro o enigma das palavras
os objetos sempre excedem os nomes
Objetos recobertos de conceitos passam
de mão em mão sem pertencer a ninguém
– fria é a gramática provisória de suas mobílias nomeadas
Quando o silêncio se cobre de signos
objetos (supostamente inanimados) forjam para si
outros diálogos de incomunicabilidades
Desparafusadas as máquinas de produzir novidades,
objetos podem ser soldados ao ouro rude de nomes
transbordados no metal de outros nomes
Pelas bordas de uma mesma lâmina
áspera geografia de pulsação mineral
palavra polida pela pedra
Certos objetos sustentam uma pedra na cabeça
como se deslocassem um sol apagado
– objetos cada vez mais estranhos carregam
a cicatriz do inominável