06/08/2018

Objetos

-  Augusto Guimaraens Cavalcanti


Nenhuma consolação nas formas

já não é claro o enigma das palavras

os objetos sempre excedem os nomes



Objetos recobertos de conceitos passam

de mão em mão sem pertencer a ninguém

– fria é a gramática provisória de suas mobílias nomeadas



Quando o silêncio se cobre de signos

objetos (supostamente inanimados) forjam para si

outros diálogos de incomunicabilidades



Desparafusadas as máquinas de produzir novidades,

objetos podem ser soldados ao ouro rude de nomes

transbordados no metal de outros nomes



Pelas bordas de uma mesma lâmina

áspera geografia de pulsação mineral

palavra polida pela pedra



Certos objetos sustentam uma pedra na cabeça

como se deslocassem um sol apagado

– objetos cada vez mais estranhos carregam

a cicatriz do inominável