- Micheliny Verunschk
Uma palavra
espreita
e se esgueira
entre todas as frases
não lidas.
Lambe,
com um longo l,
suas próprias letras,
desde as vogais atentas
às consoantes hirsutas de frio.
Salta as armadilhas do poema.
Escapa
a todo laço,
dedos,
canetas,
memória,
dicionário.
Estala,
folha seca.
Mineraliza-se,
sólido concreto.
Respira ofegante
como quem se afoga
ou antecipa o bote.
Transforma-se
em inúmeros bichos
e foge.