17/03/2012

Cerco

-  Micheliny Verunschk




Uma palavra

espreita

e se esgueira

entre todas as frases

não lidas.

Lambe,

com um longo l,

suas próprias letras,

desde as vogais atentas

às consoantes hirsutas de frio.

Salta as armadilhas do poema.

Escapa

a todo laço,

dedos,

canetas,

memória,

dicionário.

Estala,

folha seca.

Mineraliza-se,

sólido concreto.

Respira ofegante

como quem se afoga

ou antecipa o bote.

Transforma-se

em inúmeros bichos

e foge.