- Alphonsus de Guimarães Filho
"A névoa como uma montanha andando"...
"Pálida como uma mulher da lua..."
Já a vida se esgarça e em luz flutua,
desce a noite irreal, vão desmmaiando
as invisíveis flores, e cantando
o claro sonho, o sonho que é a presença
mais casta, em cujas mãos repousa a imensa
noite, pelas estrelas resvalando...
E a cousa branca mais se esquiva, ansiosa
de paz e ausência, doce e luminosa,
para que nela a cabeça ainda deponha
o poeta que o sonho transfigura,
que o sonho envolve, e na luz cega e pura
irreal se torna, e existe porque sonha.